o Xadrez agressivo é uma nova abordagem para o Xadrez?

O Xadrez é um jogo de estratégia sem informações ocultas, praticado por milhões ao redor do mundo. Apresentando-se como um esporte, também pode ser encarado como arte ou como ciência. O Xadrez agressivo é um estilo de jogo com potencial de crescimento entre os jovens.

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O Xadrez surgiu em sua forma atual na Europa, há alguns séculos. É um jogo de estratégia praticado entre dois jogadores e reúne em torno de si uma estrutura complexa com caráter esportivo. Essa estrutura pode ser comparada aos circos que orbitam competições esportivas como a Fórmula Um ou a Fórmula Indy, no automobilismo, a Copa do Mundo, no futebol, ou ainda como as Olimpíadas, para as dezenas de esportes olímpicos.

O Xadrez apresenta características que permitem enquadrá-lo como uma forma de arte ou que encaminham uma abordagem baseada no método científico. Os padrões de jogadas e a busca por soluções inovadoras, além das manifestações culturais envolvendo seus elementos, o caracterizam como arte. As inúmeras combinações de jogadas configuram um problema complexo, ensejando a aplicação do método científico na busca de soluções, aproximando-o da ciência.

O xadrez é um esporte?

Os enxadristas, como são denominados os praticantes do Xadrez, para competir em alto nível, para alcançarem o nível de grandes mestres, devem encarar rotina de preparação equivalente a rotina de grandes esportistas. A preparação para um jogo inclui estudo, preparação física e preparação mental. Um enxadrista não arrisca anos de preparação em uma única partida? Um corredor de cem metros, por exemplo, não arrisca anos de trabalho em uma competição pelo ouro olímpico?

É arte ou é ciência?

Seria possível aproximar-se de ambos ao mesmo tempo? O Xadrez se aproximaria de uma forma interativa de arte, talvez, pelo resultado final de um trabalho não aparecer como resultado de um trabalho individual, mas após embate competitivo entre dois oponentes. Um tipo de arte dinâmica, mas também uma forma de arte pelo elemento lúdico presente em sua prática!

O Xadrez se aproximaria também da ciência, ou de uma abordagem científica, pelo modo como as várias combinações de jogadas possíveis, tanto na etapa de abertura quanto nas etapas de meio de jogo e de final, podem ser estudadas e encaradas com método pelos seus praticantes, exigindo estudos de padrões de jogos com ferramentas científicas modernas.

Onde o Xadrez agressivo se encaixa nesse panorama?

As partidas de Xadrez são usualmente decididas após um número de jogadas que pode variar bastante, mas que dificilmente é muito menor que vinte e duas ou vinte e três jogadas e muitas vezes supera quarenta jogadas. As gerações mais jovens, ambientadas com atividades menos introspectivas e “mais dinâmicas”, costumam não buscar o Xadrez como um passatempo pela dedicação que exige e pelo tempo das partidas.

Desse modo, o estilo ou abordagem denominada como Xadrez agressivo (também conhecida em alguns círculos como dinâmico ou variante londrina) vem ganhando espaço entre os aficcionados e mesmo entre os praticantes do jogo (ou esporte?!). O Xadrez agressivo é baseado em uma ideia simples: vencer no menor número possível de jogadas. Uma medida desse avanço está no número crescente de livros dedicados ao tema que foram lançados nos últimos anos.

Alguns bons livros

O primeiro livro que tive acesso às ideias do Xadrez agressivo foi How to crush you chess opponents?, de Simon William, publicado pela Gambit, disponível na amazon.com apenas em formato impresso. O autor lista uma sequência de partidas muito interessantes, finalizadas com um baixo número de jogadas. O livro apresenta e comenta trinta partidas, em grande parte disputadas neste século, ao longo de sete capítulos que exploram a agressividade no Xadrez.

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Outros artigos sobre este tema podem ser encontrados em xadrez, enquanto artigos específicos podem ser encontrados em xadrez agressivo. Algumas partidas interessantes aparecem em partidas notáveis.

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Sobre quem escreve

Escritor com livro de crônicas publicado em 2021 e livro de contos em 2022. Doutor em Engenharia, professor da UFRGS e pesquisador do CNPq em energias renováveis. Editor convidado em livro publicado pela Academic Press.
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